

A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos deve fortalecer os mecanismos de controle financeiro adotados por empresas, bancos e investidores que atuam no Brasil.
Embora o debate tenha se concentrado nos impactos diplomáticos e de segurança pública da medida, especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que os efeitos mais relevantes podem surgir no campo da governança corporativa, com o aumento das exigências de compliance, de auditorias internas e do monitoramento de parceiros comerciais.
A classificação coloca as facções sob o alcance das sanções administradas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), órgão do Tesouro americano responsável por impor restrições financeiras a indivíduos, empresas e organizações consideradas ameaças à segurança dos EUA.
Na prática, isso eleva o risco jurídico de qualquer relação econômica que, direta ou indiretamente, envolva estruturas ligadas aos grupos criminosos.
Nesse cenário, empresas e instituições financeiras devem ampliar os controles sobre cadeias produtivas e operações para reduzir riscos de exposição ao crime organizado, dificultar a lavagem de dinheiro e aumentar a capacidade de rastreamento de recursos.
A expectativa é de aumento da pressão sobre setores da economia historicamente mais vulneráveis à infiltração de recursos ilícitos. Entre eles estão a construção civil, o mercado imobiliário, as distribuidoras de combustíveis, a hotelaria e o turismo, frequentemente utilizados para ocultar a origem de recursos e dar aparência de legalidade a operações ilícitas.
“É um divisor de águas importante para passar uma linha e ver quem está de cada lado”, afirma Hugo Queiroz, diretor de gestão da L4 Capital.
Na esfera financeira, os grandes bancos brasileiros já operam sob padrões internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e identificação de clientes suspeitos, por meio de programas de compliance e mecanismos de rastreamento de operações.
Fonte: Gazeta do povo
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