

Levantamento preliminar do DIAP aponta a nova bancada sindical dos trabalhadores na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Para a 58ª legislatura, que terá início em 2027, serão 38 membros na Câmara dos Deputados e 10 no Senado Federal oriundos do movimento sindical do campo, da cidade ou de servidores públicos além de representantes de associações ligados a trabalhadores. Também contabilizamos parlamentares simpatizantes da causa trabalhista.
Ainda que de forma prévia, os dados apontam para 48 parlamentares eleitos em 2026 na bancada sindical, um crescimento em número absoluto de 7 parlamentares. No pleito de 2022 saíram das urnas 41 congressistas identificados com pauta trabalhista.
O DIAP faz o levantamento das bancadas desde 1990, resultado das eleições gerais de 1989. Ao longo das legislaturas a representação dos trabalhadores pelos dirigentes sindicais no Congresso Nacional oscilou, tendo seu maior número em 2011/2015, quando atingiu 72 parlamentares ligados ao movimento sindical de trabalhadores.
Os ataques à estrutura sindical de trabalhadores e as frequentes campanhas difamatórias que alcançam os meios de comunicação de massa e agora as redes sociais, contribuem para o desequilíbrio na representação de dirigentes da classe trabalhadora nos postos de poder decisório do País.
A pauta defendida pelos trabalhadores movimenta interesses de diversos setores econômicos no Congresso Nacional e coloca em xeque o discurso de bem-estar da sociedade entre representantes empresariais do campo e da cidade. Porém, a democracia tem como um de seus pilares a representação dos trabalhadores através das organizações de classe.
O trabalhador sozinho se torna vulnerável nas relações entre patrões e empregados e, nessa dicotomia, entram as organizações sindicais para fazer da democracia representativa sua forma de luta e atuação na defesa de melhores condições de trabalho, renda e qualidade de vida da população laboral.
A bancada sindical veio crescendo ao mesmo tempo em que a democracia se afirmava nos pós ditadura militar e, após o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, os números apontaram para uma queda até uma estabilização na representação dos trabalhadores no Congresso Nacional. Atualmente com 41 deputados e senadores na bancada, há uma clara sub-representação dos trabalhadores no Poder Legislativo.
Entre os novatos nesta legislatura, no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, são sete de cada casa que compõem a bancada. Porém, vale destacar que há uma circulação de poder, como é o caso de Luiziane Lins (REDE-CE), Sanderson e Nicoletti (PL) que estavam na Câmara dos Deputados. Marilia Arraes (PDT-PE), também já esteve na Câmara baixa em legislatura anterior.
A experiência e vivência na política é uma tônica da bancada sindical. Em geral todos participaram de mandatos eletivos nos legislativos estaduais ou municipais além de exercer a representação de classe em suas entidades, ou seja, não são calouros no debate político.
Entre os estados, a Bahia, Rio Grande do Sul, e São Paulo contam com o maio número de representantes, 7, seguidos de Minas Gerais com 6 e Pernambuco com 5 representantes.
Nesta legislatura representantes históricos do movimento sindical de trabalhadores não retornam às Casas Legislativas. Entre eles o senador Paulo Paim (PT-RS) que não se candidatou a reeleição. Paim esteve em presente no legislativo federal desde a assembleia nacional Constituinte (1986/87).
Entre os deputados que estavam em mandato na atual legislatura (2023/2027), os deputados Paulinho da Força (SOLIDARIEDADE-SP), Vicentinho (PT-SP) e André Figueiredo (PDT-CE) não retornam aos mandatos.
Fonte: DIAP
Notícias: FEEB-SC
