

A entrada em vigor da nova tarifa adicional de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros amplia a pressão sobre a indústria nacional e aumenta os custos de acesso ao principal mercado de exportação do Brasil fora da América do Sul. A medida, que passou a valer nesta sexta-feira (24), afeta cerca de 4 mil produtos brasileiros, movimentando aproximadamente US$ 12,4 bilhões em exportações.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o impacto corresponde a 29,4% de todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, reforçando um cenário de maior competitividade internacional e desafios para diversos segmentos industriais.
Segundo a CNI, a maior parte das mercadorias atingidas pela nova decisão norte-americana já estava sujeita à tarifa adicional de 25%. Com a incidência da nova sobretaxa de 12,5%, esses produtos passam a enfrentar uma tarifa combinada de 37,5%.
Os números mostram a dimensão do impacto:
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige intensificação do diálogo diplomático e adoção de medidas que reduzam os impactos sobre a indústria brasileira.
Segundo ele, a prioridade é preservar a relação comercial entre os dois países e construir soluções que minimizem os prejuízos para as empresas exportadoras.
A entidade informa que mantém diálogo com o governo federal e com os setores produtivos para buscar alternativas capazes de reduzir os efeitos econômicos da nova política tarifária.
A nova decisão faz parte das investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para avaliar práticas comerciais consideradas inadequadas.
O processo envolve cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Na decisão final, o Brasil foi incluído, juntamente com outras 37 economias, entre os países que, na avaliação do governo norte-americano, não demonstraram mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado.
A Confederação Nacional da Indústria discorda dos argumentos apresentados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
De acordo com a entidade, o Brasil possui um dos sistemas legais mais modernos para prevenção, fiscalização e combate ao trabalho forçado, incluindo mecanismos aplicáveis às cadeias produtivas e de suprimentos.
Na avaliação da indústria brasileira, os fundamentos utilizados para justificar a aplicação das tarifas adicionais não refletem a realidade do ambiente regulatório brasileiro.
Com a entrada em vigor da nova tarifa, o impacto sobre o comércio bilateral torna-se ainda mais abrangente.
Os cálculos da CNI indicam que 48,7% de todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passam a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, elevando os custos para empresas exportadoras e aumentando a preocupação dos setores industriais quanto aos efeitos sobre competitividade, investimentos e geração de empregos.
Especialistas avaliam que a evolução das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano será determinante para reduzir os impactos sobre o comércio exterior e preservar o fluxo das exportações brasileiras para um dos seus principais mercados internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Notícias: FEEB-SC
