

Nem toda depressão impede alguém de sair da cama ou de trabalhar. Em muitos casos, o sofrimento se manifesta de forma silenciosa, enquanto a pessoa continua cumprindo suas obrigações diárias.
Esse contraste entre os sentimentos e uma “rotina funcional” descreve o que especialistas chamam de “depressão de alta funcionalidade” —um quadro em que a pessoa mantém uma rotina aparentemente normal, que pode incluir trabalho, estudos, compromissos sociais… mas vive sintomas típicos de depressão.
“São indivíduos que vivenciam esgotamento emocional, anedonia [incapacidade de sentir prazer], baixa autoestima e fadiga crônica, mas continuam produzindo, cumprindo compromissos e aparentando estar bem”, explica o psiquiatra Marcel Fúlvio Padula Lamas, coordenador da psiquiatria do Hospital Albert Sabin.
Em termos técnicos, esses casos se aproximam de um episódio depressivo leve, de uma distimia (forma crônica da depressão) ou de um transtorno misto ansioso-depressivo — mas com a funcionalidade preservada”, completa. Quando a produtividade esconde o sofrimento. Segundo Lamas, há um perfil que se repete entre quem vive esse tipo de quadro: perfeccionismo, autocobrança intensa, dificuldade de delegar tarefas e medo de decepcionar. O psiquiatra aponta que, em sua experiência clínica, o diagnóstico é mais comum em profissionais de alta performance, estudantes competitivos, líderes e pessoas de áreas de cuidado, como saúde, educação e direito.
Por fora, tudo parece em ordem. Por há um mal-estar constante, acompanhado de pensamentos autodepreciativos e dificuldade de relaxar. (Fonte: UOL).