

A técnica do Dieese destacou que transformações no sistema financeiro, como a utilização do Pix e o avanço das operações em plataformas digitais, criaram novos “atores” no setor, entre eles fintechs, instituições de pagamento, plataformas de serviços, além dos já existentes correspondentes bancários e cooperativas de crédito.
“A redução dos postos de trabalho no setor bancário foi de 68 mil entre 2016 e 2025. Na base da Federa-RJ, a queda foi de 11 mil postos”, afirmou a economista.
“Não é o emprego do setor financeiro que está diminuindo, mas especificamente o do setor bancário. Em 2025, a categoria bancária representava 41% do setor. Em 1994, representava 89% do ramo”, explicou.
A pesquisa do Dieese mostra que a ocupação com maior crescimento no período foi a de analista de desenvolvimento de sistemas, na área de Tecnologia da Informação (TI). Já as maiores reduções ocorreram entre caixas bancários, supervisores administrativos e operadores de telemarketing, entre outras atividades típicas das agências bancárias.
“Os cinco maiores bancos — Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander — foram os que mais ampliaram vagas na área de TI, com cada vez mais tecnologia e menos serviços presenciais”, destacou Milena.
Milena citou ainda o caso do Santander, no qual 16 mil trabalhadores migraram, entre 2016 e 2025, para empresas terceirizadas da própria holding, com sede na matriz espanhola e o impacto das mudanças para as mulheres.
“As mulheres representam apenas 25% do total de trabalhadores da área de tecnologia no sistema financeiro e compõem a maioria das demissões no setor”, ressaltou.
A economista afirmou ainda que o número de caixas bancários foi reduzido em mais da metade no período pesquisado, enquanto cresce a presença de empregados de cooperativas de crédito, como o Sicoob, que oferecem os mesmos serviços e produtos dos bancos tradicionais.
Ela explicou ainda que os ativos dessas cooperativas passaram de 2% em 2016 para 6% após quase uma década, enquanto a rede de atendimento presencial saltou de 13% para 29% do setor financeiro, numa tendência contrária ao dos bancos de varejo.
“Das 20 maiores empresas do setor, 15 são cooperativas. Mas os trabalhadores dessas empresas sofrem mais com a rotatividade — permanecem 44% menos tempo no emprego do que os bancários — e têm renda média de R$ 6 mil, metade da recebida pela categoria bancária, que é de R$ 12 mil”, afirmou.
Milena lrmbrou também da importância do faro de os bancários serem protegidos por uma Convenção Coletiva de Trabalho de alcance nacional.
As fintechs somam atualmente 356 instituições autorizadas pelo Banco Central, número superior ao dos 173 bancos tradicionais.
“Das 10 maiores instituições reguladas pelo Banco Central, quatro são fintechs. O Nubank, plataforma de pagamento, já possui mais clientes do que o Itaú, ficando atrás apenas da Caixa Econômica Federal”, afirmou Milena.
“O Nubank tem rentabilidade média semelhante à do Itaú, em torno de 33%, mas com muito menos empregados”, acrescentou.
Segundo a economista, os trabalhadores dessas novas modalidades de empresas enfrentam salários menores, maior rotatividade e jornadas superiores às dos bancários.
“Nas 326 administradoras de cartão de crédito, por exemplo, a remuneração é 31% menor do que a dos bancários e 28% inferior à dos financiários”, explicou.
Ao contrário das expectativas e promessas do Banco Central, segundo Milena, essas novas modalidades do sistema financeiro não trouxeram a concorrência esperada pelos consumidores.
“Houve aumento dos juros, do endividamento das famílias, dos casos de fraudes e do risco sistêmico do setor financeiro. A falta de regulamentação das fintechs também está relacionada ao crescimento do endividamento das famílias”, concluiu. (Fonte: Seeb Rio).
