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    Banco do Brasil (BBAS3) ainda vai enfrentar o pior do agro, alerta Itaú BBA.

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    Edifício-Sede do Banco Central em Brasília

    O Banco do Brasil (BBAS3) ainda não enfrentou o pior momento do agronegócio. Por isso, deve gastar mais do que o previsto com provisões e entregar resultados modestos em 2026, na avaliação do Itaú BBA. O Itaú BBA revisou as suas projeções para o Banco do Brasil nesse domingo (7). Com isso, cortou o preço-alvo para as ações do BB, de R$ 22 para R$ 21, e reiterou a recomendação neutra para o papel.“Permanece uma incerteza significativa sobre a forma como a inadimplência do agronegócio vai evoluir, o que sustenta a nossa postura mais conservadora e a recomendação ‘market perform’”, afirmou o Itaú BBA.

    O pior ainda está por vir

    O Banco do Brasil vem sofrendo com a alta da inadimplência no agronegócio já há algum tempo. Não à toa, viu seu lucro afundar 45,4% em 2025 e mais 53,5% no primeiro trimestre de 2026 e acabou revisando as projeções para os resultados deste ano. Ainda assim, o Itaú BBA acredita que a pior parte dessa história ainda está por vir. Afinal, grande parte da carteira de crédito rural só vai vencer nos próximos meses, justamente em um momento difícil para os produtores rurais, dado o aumento dos custos dos fertilizantes e dos fretes, além dos juros altos.“O setor agrícola é ainda o fator decisivo, e o período mais difícil está para vir”, afirmou o Itaú BBA, lembrando que esse cenário tem pressionado as margens e a inadimplência do setor rural e, consequentemente, deve se refletir nos resultados do Banco do Brasil.

    Provisões em alta

    Diante desse cenário, o Itaú BBA acredita que o Banco do Brasil ainda vai precisar elevar as provisões agrícolas até pelo menos o terceiro trimestre de 2026.A expectativa é de que o custo de risco da carteira rural só comece a cair no segundo semestre, quando começam a vender os novos financiamentos realizados pelo BB, com base em um modelo mais robusto de garantias.Por isso, o Itaú BBA acredita que o Banco do Brasil não vai conseguir entregar o seu guidance de custo de crédito, que prevê uma despesa de R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões em 2026.Pelos cálculos dos analistas, as provisões devem ficar ligeiramente acima do limite superior dessa faixa, chegando a R$ 73,6 bilhões.

    Lucro e ROE sob pressão

    O Itaú BBA ainda acredita que o lucro líquido do BB vai ficar no piso do guidance revisado da instituição, que prevê ganhos de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões em 2026. Os analistas projetavam um lucro líquido de R$ 21,2 bilhões para o BB em 2026, mas cortaram essa projeção para R$ 18,4 bilhões, devido à pressão vinda do agronegócio.Com isso, o Itaú BBA ainda reduziu de 10,6% para 9,3% a projeção para o ROE (retorno sobre o patrimônio) de 2026, o que justifica a postura cautelosa com as ações do BB.“Com o ROE previsto para permanecer abaixo do custo de capital e as revisões de lucros ainda inclinadas para baixo, vemos poucos catalisadores de curto prazo para uma reavaliação”, afirmou o Itaú BBA.

    Juros altos reduzem estrago

    Apesar do cenário desafiador, também houve espaço para algumas revisões otimistas na tese do Banco do Brasil.Isso porque a expectativa do mercado é de que os juros sigam em patamares elevados por algum tempo e juros altos significam mais receita para os bancos.Para o Itaú BBA, uma taxa Selic mais elevada por um período mais longo beneficia os resultados de tesouraria e de gestão de ativos do BB.Por isso, a casa elevou a projeção para a margem financeira bruta anual de R$ 108,5 bilhões para R$ 113,4 bilhões, o que está em linha com o guidance do BB de ampliar o indicador de 7% a 11% neste ano. Porém, avisou que essa alta é mais do que compensada pelo aumento das provisões.

    Dividendos protegidos

    O Itaú BBA ainda avaliou que essa situação não deve levar a novas reduções da meta de distribuição de dividendos do BB. O Banco do Brasil pretende distribuir 30% do lucro líquido deste ano para os seus acionistas e o Itaú BBA acredita que a posição de capital da instituição suporta esse payout (ou até uma meta mais ousada).“Embora a tendência de lucros no curto prazo seja fraca e a geração de capital seja limitada, não vemos o capital como um fator restritivo ao crescimento ou à manutenção de um payout de dividendos de 30% no horizonte previsível”, afirmou.

    Vale lembrar, no entanto, que o BB trabalhava com um payout mais generoso antes da crise do agronegócio. Em 2024, por exemplo, a meta era distribuir 45% do lucro líquido aos acionistas e o payout efetivo até passou disso. Veja aqui os dados. (Fonte: Investidor).

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