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    A Polícia Federal tem indícios de que o Itaú e o Santander podem ter ajudado a manter de pé o mecanismo que mascarou a real situação financeira da Americanas em uma fraude que lesou outras instituições financeiras, acionistas e credores.

    No centro do escândalo, está o chamado “risco sacado”, operação na qual um banco antecipa o pagamento a fornecedores e passa a ser credor — no caso, das Americanas.
    Imagine que a Americanas compra uma camisa para revender e se compromete a pagar o fornecedor em 90 dias. Este fornecedor opta por receber antes (naturalmente um valor inferior). O valor é pago não pelo varejista, mas pelo banco, com o compromisso de que, depois, a Americanas vai ressarci-lo com juros
    Esse tipo de operação quita a dívida do varejista com o fornecedor e deixa a Americanas devendo para o banco. Por isso, ela deveria aparecer nos balanços da companhia como passivo financeiro (dívida com o banco). Mas, nas ocasiões em que a varejista registrava essas obrigações, era como uma dívida com fornecedores.
    A Polícia Federal aponta que os bancos Itaú e Santander teriam ciência do esquema e colaboravam com as Americanas. Tanto que, com autorização da Justiça, realizou busca e apreensão em endereços de executivos das duas instituições financeiras no fim de junho. Um executivo do Bradesco também foi alvo
    De acordo com as investigações, executivos dos bancos teriam atuado “para que as manipulações ao mercado fossem viabilizadas“, e “teriam sido indispensáveis para as fraudes ocorrerem e se perpetuarem ao longo do tempo“.

    Isso porque cabe aos bancos emitir um documento chamado “carta de circularização”, que é disponibilizada à auditoria da empresa. Segundo a PF, os bancos omitiam as operações de risco sacado, porque, se elas aparecem na carta, mas não no balanço do banco, a auditoria identifica a contradição.

    Mesmo quando a dívida entrava no balanço como sendo com fornecedores, não como bancária, a manobra reduzia artificialmente o endividamento da Americanas e dava ao mercado a impressão de que a empresa era mais saudável do que realmente era, permitindo à varejista buscar novos financiamentos e arrastar a dívida.

    Isso permitia aos mesmos bancos renovar as operações que se transformaram em um dos principais pilares da fraude, quando o esperado era que o volume crescente de risco sacado, naturalmente conhecido pelos bancos, despertasse questionamentos sobre a real condição financeira da varejista.

    Pelo contrário: os bancos continuaram realizando essas operações em volume sempre crescente, sem discutir por que isso não aparecia nos balanços das Americanas.

    A omissão permitia também não se indispor com os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, controladores da empresa, ao mesmo tempo em que gerava cada vez mais receitas aos bancos com essas transações e ampliava relação comercial com uma das maiores varejistas do país.

    No caso do Itaú e do Santander, a linha de investigação é a de que os bancos teriam sido peça importante na engrenagem financeira que permitiu à Americanas continuar captando recursos e empurrando seus problemas de caixa para frente.

    Sem a constante renovação das linhas de risco sacado, a expansão do endividamento da varejista teria sido freada muito antes, evitando prejuízos bilionários para acionistas, outros bancos e credores.

    O que dizem

    Procurado, o Itaú enviou a seguinte nota:

    Em relação à operação Disclosure, o Itaú Unibanco, embora não seja objeto da investigação, esclarece que colabora ativamente com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. As investigações oficiais já demonstraram que a varejista foi palco de uma das maiores fraudes corporativas do País.

    O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, comprovou a regularidade de sua conduta e da atuação de suas equipes por meio de farta documentação apresentada à Justiça. Os registros deixam claro que o Itaú recusou, de forma firme e independente, os pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços. Essas cartas seguiam modelos de mercado próprios da instituição, sendo documentos claramente distintos e sem nenhuma relação com os padrões de outros bancos.

    Todos os documentos e comunicações que fundamentam essa lisura constam nos autos desde 2024. Eles provam o caráter regular das interações e a ausência de qualquer alinhamento, coordenação ou combinação com outras instituições financeiras para adulterar dados ou ocultar informações. Cada instituição atuou de forma isolada, e o Itaú rechaçou de pronto as investidas da varejista.

    O Itaú reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista.

    À

    época da operação, o Santander informou que “está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo as Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações”.

    “A instituição reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações”, disse o Santander.

    O Bradesco declarou que “acompanha o caso e está à disposição das autoridades”.

    Fonte: Metrópoles

    Notícias: FEEB-SC

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