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    Caixa : Polícia Federal está investigando a contratação de uma empresa de empréstimos consignados.

    6 de fevereiro de 2026

    A Polícia Federal está investigando a contratação de uma empresa de empréstimos consignados —com descontos em folha de pagamento— na Caixa Econômica Federal. (Por Natália Portinari) .

    A empresa contratada pela Caixa é administrada por Victor Guidotti Andrio e Fernando Perrelli Júnior, réus na Justiça por suspeita de fraudes em empréstimos consignados em outros bancos.

    A Caixa disse ao UOL que a contratação da empresa “seguiu todos os ritos de governança e adotou o modelo padrão aprovado”.

    “O sistema utilizado incluiu cláusulas de compliance, integridade, prevenção à lavagem de dinheiro, combate à fraudes e responsabilidade solidária entre CBA Master e Substabelecidos.”

    “A estatal possui 7.900 Correspondentes Caixa Aqui espalhados por todo o país. A remuneração paga ao correspondente segue os limites da Resolução do Conselho Monetário Nacional nº. 4935/2021.”

    A CBA também negou qualquer irregularidade (leia a nota ao fim do texto).

    Correspondente ‘master’
    A CBA foi contratada na modalidade de Correspondente Caixa Aqui Master (CCA Master), que tem o direito de fazer subcontratações de outros correspondentes bancários.

    Sem experiência na área e com capital social de R$ 1.000, a empresa foi criada em novembro de 2024 com a BYX Capital, empresa da Pine Holding, do Banco Pine, entre os sócios.

    O contrato com a Caixa foi formalizado um mês depois, em dezembro de 2024, mas demorou alguns meses para entrar em operação efetiva.

    Pelos termos do contrato, a CBA subcontrata correspondentes bancários para fechar empréstimos consignados, com parcelas debitadas na folha de pagamento de trabalhadores ativos ou aposentados, e ganha uma comissão.

    Suspensão do contrato
    No ano passado, houve uma suspeita de irregularidade que levou a apurações internas para investigar possíveis falhas no consentimento daqueles que tinham parcelas de seus empréstimos descontados em folha, segundo fontes ouvidas pelo UOL.

    Os problemas levaram à suspensão do contrato com a empresa, punição depois revertida pela gerência dos correspondentes da Caixa.

    Segundo o banco, os empréstimos consignados foram verificados e a Caixa não encontrou nenhuma irregularidade.

    Fontes com acesso aos dados, por outro lado, relatam que o sistema de verificação da identidade dos clientes contraindo empréstimos é frágil, abrindo margem para fraudes.

    A PF abriu uma investigação sobre o caso e, em outubro do ano passado, enviou um ofício à Caixa solicitando esclarecimentos.

    Investigadores pediram que a Caixa esclarecesse: 1) quais processos levaram à contratação da CBA e BYX Capital; 2) quais servidores foram responsáveis pela contratação; 3) eventuais processos sancionadores contra esses funcionários devido ao ocorrido.

    Em dezembro, a PF cobrou novamente informações e negou acesso da Caixa à denúncia que originou a investigação.

    Até agora, com três meses de operação —descontado o tempo da suspensão—, a empresa já recebeu aproximadamente R$ 1,8 milhão de comissão da Caixa pelos empréstimos.

    Empresa sem experiência
    Fontes ouvidas pelo UOL relataram que houve pressão de superiores hierárquicos para contratar rapidamente a CBA, atropelando as regras de compliance do banco.

    Segundo as normas da Caixa, para se qualificar a ter esse tipo de contrato, o correspondente “master” precisa ter experiência comprovada na área, o que não é o caso da CBA.

    Quando a firma foi criada, em novembro de 2024, sua única sócia era a BYX Capital. Um mês depois, após assinar o contrato com a Caixa, a empresa foi transformada em uma sociedade anônima —modalidade em que os sócios não são identificados abertamente.

    Naquele momento, as cotas do BYX foram repassadas para Victor Guidotti Andrio, então diretor-presidente da CBA.

    Guidotti Andrio e Perrelli Júnior, sócios da BYX, respondem a diversos processos em que são acusados de vender empréstimos consignados sem o consentimento dos devedores, alguns inclusive falecidos.

    Eles são réus por estelionato no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) devido a um desses casos, que envolve também a BYX. O UOL tentou contato com ambos, mas não teve retorno.

    Investigação em SP
    A Pine Holding Ltda, empresa do Banco Pine, detém 33% da BYX Capital. A participação foi vendida em novembro de 2025, mas a transferência ainda não foi registrada oficialmente na Junta Comercial.

    Entre os fundadores do banco, está Nelson Pinheiro, investigado na Operação Floresta Devastada, da Polícia Civil de São Paulo, por suspeita de fraudes financeiras, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

    A operação foi deflagrada em 23 de abril de 2025, com mandados de busca e apreensão em diversos endereços de São Paulo e bloqueio de bens de até R$ 469 milhões.

    O Banco Pine disse ao UOL que Nelson Pinheiro deixou de ser acionista do Banco Pine S.A. em 25 de agosto de 2005 e, desde então, não mantém “qualquer vínculo societário, administrativo ou comercial com a instituição financeira”.

    “Por fim, o Banco Pine não é e nunca foi alvo da investigação denominada ‘Floresta Devastada’”, disse o banco em nota.

    “A Pine Holding teve sua participação na BYX Capital integralmente vendida em 26 de novembro de 2025, transação já autorizada e homologada pelo Banco Central do Brasil e pelo Cade”, afirma o banco.

    “A CBA —até onde temos conhecimento— é uma empresa que possui como sócios Fernando de Araújo Perrelli Júnior e Victor Guidotti Andrio.”

    O que diz a CBA
    A CBA disse que não é objeto de investigação criminal, administrativa ou regulatória, tampouco figura como investigada em qualquer procedimento relacionado às operações de crédito consignado realizadas pela Caixa Econômica Federal.

    “A reportagem menciona investigações amplas conduzidas pela Polícia Federal no mercado de consignado; contudo, não há qualquer imputação formal, processo sancionador ou questionamento contratual envolvendo a atuação da CBA como correspondente bancário da Caixa.”

    *O mencionado litígio envolvendo os sócios da CBA no TJ-SP nada mais é que do que ação patrocinada por uma empresa que se insurgiu contra a cobrança por descumprimento contratual e, em represália, passou a patrocinar denúncias de caráter calunioso contra a CBA e seus sócios. As falhas de consentimento citadas, inclusive, são de responsabilidade desta mesma empresa.*

    A empresa diz, ainda, que não há condenação criminal ou decisão judicial contra seus sócios, ou responsabilização administrativa.

    “O contrato de correspondente bancário com a Caixa foi celebrado após regular processo de credenciamento, no qual foram avaliados a experiência profissional, a capacidade técnica, a idoneidade e a conformidade regulatória dos sócios, em estrita observância às normas do Banco Central do Brasil e às exigências contratuais da própria Caixa.”

    “Importante ressaltar, por fim, que após a formalização do contrato de correspondente bancário, celebrado há quatorze meses, a CBA vem operando regularmente como correspondente e originando operações de crédito para Caixa Econômica Federal.”

    Fonte: UOL

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