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    5 de janeiro de 2026

    Bancos esperam que o crédito esfrie lentamente em 2026 e corte da Selic só em março.

    5 de janeiro de 2026

    Maioria das instituições bancárias espera que a carteira de crédito total em 2025 feche o ano com crescimento de 9,2%, e desacelere de forma bem gradual em 2026, chegando a 8,2%, mostra pesquisa da Febraban
    Roberto de Lira

    A maioria dos bancos espera que a carteira de crédito total em 2025 feche o ano com crescimento de 9,2%, e desacelere de forma bem gradual em 2026, chegando a 8,2%. Esta projeção está em linha com os números recentes do mercado de crédito, cujo crescimento anual do saldo total tem se mantido ainda elevado, apesar da alta da Selic. Esses são alguns dos destaques da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban, que ouviu 20 bancos entre os dias 17 e 19 de dezembro.

    Na pesquisa anterior, a expectativa para 2025 era de uma alta de 8,9%. A estimativa de 9,2% reflete o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado, com a projeção subindo de 10,1% para 10,9%.

    Esse movimento é explicado pelo crédito de pessoas jurídicas (PJs), que foi a 15,3%, ante os 13,6% anteriores – indicando que que segue com alto nível de expansão, sustentado pelos programas governamentais.

    Ainda sobre o saldo de crédito em 2025, na carteira direcionada para famílias, a expectativa de crescimento também subiu, de 8,4% para 8,7%, refletindo a resiliência do crédito habitacional, compensando o menor dinamismo do crédito rural.

    Na carteira livre, também sobre o saldo estimado para 2025, a expectativa de crescimento caiu marginalmente de 8,1% para 8,0%, segundo a federação dos bancos. A revisão decorreu do menor crescimento esperado para a carteira PJ, que recuou de 5,1% para 3,6%, em razão das condições financeiras mais apertadas, elevação do IOF e da concorrência com as operações direcionadas e o mercado de capitais.

    Já a projeção de crescimento da carteira Livre das pessoas físicas (PFs) avançou de 10,3% para 11,0%, em função do bom dinamismo apresentado pela carteira em 2025, embora com uma piora de composição – com aumento de linhas rotativas.

    Para 2026, uma parcela expressiva (73,7%) dos analistas acredita que o saldo total deve desacelerar, mas apenas de forma gradual. Além disso, 15,8% dos participantes esperam que o crédito mantenha o ritmo atual de expansão no próximo ano. Com isso, a pesquisa também captou um aumento na projeção de crescimento do saldo de crédito total, que subiu de 7,9% para 8,2%, com melhora tanto na carteira livre (de 7,4% para 7,6%) quanto na direcionada (de 9,0% para 9,4%).

    Para Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, a alta das projeções do saldo do crédito para 2026 vem em linha com as divulgações recentes, que mostram que 2025 foi marcado por uma moderação bastante gradual do mercado de crédito, que permaneceu com um crescimento razoavelmente robusto, mesmo com o elevado nível da taxa Selic. “Este crescimento foi sustentado pelos programas governamentais para as MPMEs e linhas de consumo para as famílias”, avaliou o diretor em nota

    “Para 2026, a expectativa é que essa desaceleração gradual prossiga ao longo do ano, levando a um crescimento de 8,2%, com o movimento sendo liderado pela carteira Direcionada PJ, dada a elevada base de comparação deste segmento, que tende a fechar 2025 com alta superior a 15%”, complementou Sardenberg.

    Taxa Selic
    A pesquisa, realizada sempre após a divulgação da Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), também aponta que a maioria dos bancos (70%) acredita que o início do ciclo de queda da taxa Selic deverá ocorrer apenas na reunião do Copom de março. Assim, a taxa Selic deve permanecer em 15% ao ano no COPOM de janeiro, com reduções consecutivas de 0,50 pp a partir da segunda reunião do ano.

    Inflação em 2026
    O levantamento mostra ainda que, para 50% dos participantes, a inflação em 2026 deve seguir em linha com o consenso do mercado, ou seja, permanecendo acima da meta, devido aos estímulos fiscais e de crédito. Por outro lado, 35% projetam uma inflação abaixo do consenso, sugerindo uma continuidade do viés de queda das projeções.

    “A evolução recente do cenário econômico, somado à comunicação do BC, tem levado o mercado a convergir para uma expectativa de início do ciclo de corte da taxa Selic a partir de março. A principal questão agora parece ser qual velocidade o Copom conseguirá cortar os juros ao longo do ano. Por ora, as expectativas ainda são conservadoras e indicam uma trajetória moderada de corte dos juros, apesar do alto nível da Selic.”, avaliou Sardenberg

    Atividade econômica
    Em relação à atividade, a Pesquisa captou uma melhora do sentimento dos participantes para 2026. O percentual de analistas que projetam um crescimento de 1,8% para o ano subiu de 36,4% para 55%. Por outro lado, caiu de 45,5% para 30% a proporção daqueles que esperam um crescimento inferior ao esperado pelo consenso do mercado.

    Meta Fiscal
    Apesar de nenhum participante esperar que o governo descumpra a meta fiscal de 2026, 80% acreditam que o governo precisará de medidas adicionais para cumprir a meta, sendo que 45% esperam que agenda seja focada em medidas do lado das despesas – como bloqueios e contingenciamentos, ou retirada de despesas do arcabouço fiscal.

    Inadimplência
    Já a trajetória da taxa de inadimplência segue como um ponto de atenção, segundo a pesquisa. A projeção do indicador para a carteira com recursos livres em 2025 permaneceu em 5,1%, enquanto para 2026, subiu para 5,2% (ante 5,1%). Este patamar é um pouco inferior ao reportado pelo Banco Central para o mês de outubro, quando a taxa ficou em 5,3%.

    EUA
    Para os Estados Unidos, a maior parte (60%) dos bancos pesquisados espera que o Fed realize dois cortes de 0,25 pontos percentuais nos Fed Funds em 2026, em razão da moderação da atividade econômica e do mercado de trabalho do país, embora a inflação acima da meta não deva permitir um ciclo tão agressivo. (Fonte: Infomoney).

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