

Em meio a anúncio de mudanças em sua gestão em breve, o Santander Brasil (SANB11) realizou na última segunda-feira (23) um encontro com analistas, reunindo o atual CEO, Mario Leão, o ex CFO Gustavo Alejo e o novo CFO, Carlos Muniz.
Na semana passada, o banco com sede na Espanha anunciou que Leão deixará a presidência após onze anos de atuação na instituição e o executivo Gilson Finkelsztain, atual CEO da B3 (B3SA3), assumirá a cadeira no segundo semestre.
Neste cenário, a mensagem central em reunião foi a de continuidade estratégica, com foco na redução da volatilidade do balanço como principal vetor de melhora do ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) ao longo dos próximos anos, conforme aponta o Bradesco BBI.
A instituição espera capturar esse efeito inicialmente via melhora da margem financeira —impulsionada pelos resultados de Tesouraria mais estáveis —e, posteriormente, com queda gradual no custo de risco.
Além disso, a decisão de saída do CEO foi reforçada como estritamente pessoal, sem relação com mudanças de estratégia ou desalinhamentos com o grupo.
Os analistas também citaram que, conforme o CEO, o Santander Brasil possui uma estratégia clara, centrada na redução da ciclicidade dos resultados, no aumento da participação de funding de varejo e em tornar as receitas com tarifas mais relevantes.
“Na visão dele (Leão), o banco ‘nunca esteve tão bem posicionado’”, e os resultados devem se tornar cada vez mais previsíveis à medida que a execução avance. Ainda assim, a administração reconheceu que 2026 deve continuar sendo um ano um pouco desafiador.”
De acordo com o relato do BTG sobre o encontro, o primeiro semestre pode ser um pouco mais pressionado por maiores provisões, em parte devido a algumas pressões observadas no quarto trimestre do ano passado, combinadas com casos corporativos específicos. A mensagem, porém, foi de que não deve haver um aumento relevante no custo de risco, afirma o relatório do BTG.
“Também entendemos que parte das provisões relacionadas a casos corporativos de grande visibilidade, por exemplo, deve ser reconhecida gradualmente, e há alguma expectativa de que os processos de reestruturação pelos quais essas empresas estão passando efetivamente melhorem sua capacidade de pagamento.”
A gestão reiterou que o plano de eficiência, o processo de normalização das provisões e a agenda de maior rentabilidade permanecem intactos, com expectativa de ROE acima de 20%, embora com projeção estendida para 2028. A estratégia segue concentrada nos segmentos de alta renda, PME (Pequenas e Médias Empresas), enquanto o portfólio de baixa renda segue sendo reduzido —segmento que tem pressionado inadimplência e afetado mix de margens.
No front operacional, o banco reforçou sua expectativa de margem com mercado estável, com possibilidade de contribuição positiva via marcação a mercado e melhora estrutural do custo de risco à medida que o perfil de risco da carteira evolui. Em despesas, a agenda de eficiência segue avançando com fechamento de agências, revisão estrutural de despesas gerais e administrativas (G&A) e iniciativas de tecnologia como o projeto global de nuvem Gravity.
O BTG Pactual reforça a visão pós-reunião de que a mudança de CEO não implica alteração estratégica, mantendo foco em reduzir a ciclicidade dos resultados, aumentar funding de varejo e ampliar receitas com tarifas, além da meta de ROE acima de 20% até 2028.
Ainda assim, 2026 deve ser um ano de transição, com maior pressão de provisões no curto prazo, mas sem deterioração relevante do custo de risco no médio prazo. O crescimento seguirá seletivo, priorizando alta renda, PMEs e empresas médias, enquanto o banco adota cautela em baixa renda, grandes corporates e no consignado privado, devido a riscos operacionais e de inadimplência. Em termos financeiros, o NII (margem de juros líquida )de mercado tende a perder relevância, custos seguem como principal alavanca de eficiência e o aumento da carga tributária deve pressionar o lucro líquido, exigindo maior crescimento do EBT (lucro antes de impostos).
O Bradesco BBI destaca que a reunião reforça uma visão de estabilidade e continuidade no Santander Brasil, com a transição de liderança ocorrendo sem alteração de diretriz estratégica.
A trajetória de menor volatilidade do balanço – especialmente após o aprofundamento dos programas de hedge desde 2024 – tende a trazer previsibilidade à margem financeira e apoiar a convergência gradual do custo de risco à medida que a carteira se desloca para segmentos de menor risco.
“Vemos a estratégia focada em alta renda, PME e crédito de melhor qualidade como coerente com a expectativa de ROE acima de 20% no médio prazo, embora o ajuste do portfólio de baixa renda ainda gere alguma pressão no curto prazo. A agenda de eficiência sinaliza capacidade de conter custos mesmo em ambiente de maior investimento tecnológico, e a evolução do resultado financeiro abre espaço para contribuições positivas adicionais em 2026”, aponta o BBI.
De acordo com relatório do UBS BB sobre o encontro, os executivos também reforçaram mais uma vez que a rentabilidade deve continuar a se expandir e pode até superar a previsão de cerca de 20% para 2028, divulgada no final de fevereiro pelo controlador.
“A administração parece relativamente otimista com suas iniciativas de controle de custos, o que deve levar a uma melhora no índice de custo sobre receita à frente”, acrescenta o UBS BB, em relatório assinado por Thiago Batista e equipe, citando ainda sinalização de que o payout não deve mudar.
Na visão do Safra, o novo CEO deve herdar um banco com ganhos iniciais em disciplina de custos e reposicionamento de portfólio, segundo relatório assinado por Daniel Vaz e equipe.
A análise sobre o encontro ressalta, porém, que a perspectiva de curto prazo ainda é desafiadora no varejo e em pequenas e médias empresas, bem como no segmento de agronegócio, o que faz com que a melhora do ROE seja mais concentrada no final do período, entre 2027 e 2028.
Segundo o relato do BTG, Leão afirmou estar aberto a trabalhar com Finkelsztain em uma boa transição, embora ainda não tenham conversado.
Após o encontro, o BBI manteve recomendação neutra para SANB11, pois reconhece avanços estruturais relevantes, mas acredita que parte dessa melhora já esteja refletida nos preços atuais, enquanto a materialização do guidance de rentabilidade exigirá execução consistente ao longo dos próximos trimestres. Na mesma linha, diante de um cenário mais desafiador para 2026 e desempenho inferior das ações, a recomendação neutra foi mantida pelo BTG. (Fonte: Infomoney).