

O Bradesco (BBDC4) anunciou na última sexta-feira (27) uma reorganização societária de grande impacto ao transferir todas as suas operações de saúde para a Odontoprev (ODPV3).
O movimento transforma a empresa, que será renomeada como BradSaúde, em uma holding completa que passa a abrigar a Bradesco Saúde, a rede hospitalar Atlântica e fatias estratégicas no Fleury (FLRY3) e na Rede D’Or (RDOR3). A nova gigante nasce com números robustos para 2025, incluindo uma receita estimada em R$ 52 bilhões e lucro líquido de R$ 3,6 bilhões.
De acordo com o BTG Pactual, o nascimento desse novo player altera a relevância do setor de saúde na bolsa brasileira. “A nova companhia surge como plataforma grande, bem capitalizada, altamente rentável e estrategicamente diversificada”, afirmam os analistas do banco. O mercado reagiu com euforia no dia do anúncio, fazendo as ações da Odontoprev saltarem quase 14%, refletindo a expectativa de ganho de escala e eficiência.
Destravamento de valor
A principal justificativa para a operação é dar visibilidade a ativos que antes ficavam “escondidos” no balanço consolidado do banco. A Genial Investimentos destaca que essa manobra permite que o mercado precifique o negócio de saúde pelo valor real de mercado, e não apenas pelo custo histórico.
Antes da transação, esses ativos estavam registrados em R$ 15 bilhões no patrimônio líquido do Bradesco; após a alta de sexta-feira, essa posição saltou para R$ 38,9 bilhões.
“A transação parece ser positiva para ambas as empresas e seus minoritários”, avalia a Genial. Os analistas ressaltam que, para o Bradesco, a estrutura melhora os índices de capital, enquanto para os investidores da Odontoprev, o lucro por ação deve ser majorado em 21% devido à musculatura financeira da nova holding.
Além disso, a Genial vê espaço para mais valorização, notando que a BradSaúde negocia a 11,8 vezes o preço sobre lucro (P/L) de 2025, um desconto interessante frente aos 20,5x da Rede D’Or.
O Morgan Stanley, que possui recomendação neutra para as ações do Odontoprev, afirmou em relatório que a lógica do investimento mudou profundamente para quem acompanhava a operadora.
“Isso coloca o Banco Bradesco no controle direto e muda a tese de investimento de odontologia pura para uma holding do ecossistema de saúde”, explicam os analistas do banco internacional. A instituição utilizou a técnica de “soma das partes” (SOTP) para avaliar a nova empresa em R$ 48,1 bilhões em seu cenário base.
Fonte: Infomoney
Notícias: FEEB-SC
