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    Brasil entra na era da quarta idade e desafia famílias

    11 de março de 2026

    O envelhecimento populacional brasileiro tem avançado rapidamente nas últimas décadas e começa a revelar um fenômeno cada vez mais presente: o crescimento da população com 80 anos ou mais, faixa etária frequentemente chamada de quarta idade. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o país passa por uma transição demográfica marcada pela redução das taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida, processo que amplia a presença de idosos em idades cada vez mais avançadas.

    O conceito de quarta idade tem sido utilizado por pesquisadores e profissionais da área do envelhecimento para descrever a fase da vida que ocorre após os 80 anos, período em que a longevidade se torna mais expressiva e também mais desafiadora do ponto de vista social e de saúde. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) aponta que o crescimento desse grupo etário representa uma das transformações demográficas mais relevantes do país e exige maior atenção à organização do cuidado e às políticas voltadas à população idosa.

    A mudança observada no Brasil acompanha uma tendência registrada em diversas regiões do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a população global com 60 anos ou mais deve atingir cerca de 2 bilhões de pessoas até 2050. A organização também aponta que o grupo etário que cresce mais rapidamente é o de pessoas com 80 anos ou mais, fenômeno que tem ampliado discussões sobre políticas de saúde, modelos de cuidado de longo prazo e formas de organização do apoio familiar em diferentes países.

    Pesquisadores que estudam o envelhecimento populacional destacam que viver mais tempo traz novas demandas relacionadas à saúde e à rotina cotidiana. Estudos publicados na revista científica Ciência & Saúde Coletiva, da plataforma SciELO (Scientific Electronic Library Online), apontam que o avanço da longevidade está associado ao aumento da prevalência de doenças crônicas e à necessidade de acompanhamento mais contínuo em idades avançadas.

    As políticas públicas voltadas à população idosa têm buscado ampliar a atenção a esse grupo populacional. Informações disponíveis no portal oficial do Ministério da Saúde indicam que a promoção da saúde e o acompanhamento contínuo da pessoa idosa são estratégias consideradas importantes para preservar a autonomia, prevenir agravos e melhorar a qualidade de vida na longevidade.

    O crescimento da população em idades muito avançadas também tem impacto direto na dinâmica familiar. Com mais pessoas vivendo por mais tempo, aumenta a necessidade de acompanhamento cotidiano por parte de filhos, cônjuges ou outros familiares. Levantamento divulgado pela Agência de Notícias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o envelhecimento populacional tem ampliado o número de familiares envolvidos diretamente no cuidado de idosos no país.

    Estudos também indicam que o cuidado com idosos no Brasil ocorre majoritariamente no ambiente familiar. Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn), disponível na plataforma SciELO (Scientific Electronic Library Online), aponta que grande parte dos cuidados cotidianos com idosos é realizada por familiares, principalmente mulheres, como esposas, filhas ou noras, evidenciando que o suporte doméstico continua sendo a principal forma de assistência à população idosa no país.

    Na prática, essa transformação demográfica já começa a se refletir no cotidiano das famílias brasileiras, que precisam se adaptar a uma realidade em que pais e avós vivem mais tempo e podem demandar acompanhamento mais próximo na rotina.

    Para Bruno Butenas, fundador da empresa de cuidado domiciliar Geração de Saúde, o crescimento da população acima de 80 anos já começa a transformar a forma como muitas famílias organizam o acompanhamento da rotina de pais e avós.

    “O Brasil está vivendo uma mudança demográfica importante. Cada vez mais pessoas chegam aos 80 ou 90 anos, e isso exige novas formas de organização do cuidado dentro das famílias”, afirma.

    Segundo Butenas, em idades mais avançadas, fatores cotidianos passam a ter maior impacto na saúde e na segurança do idoso. “Depois dos 80 anos, questões como mobilidade dentro de casa, controle de medicamentos, alimentação e observação de sinais de saúde ganham mais relevância. O acompanhamento adequado ajuda a reduzir riscos e contribui para que o idoso mantenha autonomia e qualidade de vida”, explica.

    Com o crescimento da chamada quarta idade, pesquisadores e instituições ligadas ao envelhecimento apontam que o debate sobre formas de cuidado de longo prazo tende a ganhar cada vez mais espaço. O avanço da longevidade coloca em evidência a necessidade de estratégias que conciliem autonomia, segurança e qualidade de vida para uma população que vive cada vez mais.

    Mais informações sobre serviços de acompanhamento domiciliar podem ser consultadas em www.gscuidadoresdeidosos.com.br.

    Fonte: Terra

    Notícias: FEEB-SC

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