

A Campanha Salarial 2026 mostrou, mais uma vez, que nenhum direito dos trabalhadores bancários está garantido sem organização, mobilização e representação sindical. Foram mais de 80 dias de negociações, em um processo longo e difícil, marcado por propostas rebaixadas apresentadas pelos bancos e pela necessidade de resistência das entidades representativas da categoria.
A cada Campanha Salarial, mais de 85 cláusulas são discutidas e negociadas, envolvendo não apenas salários e reajustes, mas também vale-alimentação, vale-refeição, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), auxílio-creche/babá, teletrabalho, saúde, segurança, combate ao assédio, condições de trabalho, proteção ao emprego e uma série de outros direitos que fazem parte da vida dos bancários e de suas famílias.
São direitos que não surgiram espontaneamente. Muitos deles foram construídos ao longo de décadas de negociação, mobilização e luta coletiva.
Uma campanha difícil e marcada por propostas rebaixadas
Em 2026, as negociações com a Fenaban foram especialmente difíceis. Durante o processo negocial, os representantes dos trabalhadores tiveram de enfrentar propostas que poderiam representar perdas importantes para a categoria.
Entre as discussões estiveram propostas que poderiam reduzir o valor do vale-alimentação, inclusive com critérios diferenciados regionalmente que, em determinadas localidades, poderiam levar o benefício para valores próximos de R$ 600.
A atuação das entidades sindicais foi fundamental para impedir retrocessos e buscar a preservação e ampliação dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho.
Esse trabalho, entretanto, exige estrutura e recursos. As negociações nacionais acontecem principalmente em São Paulo e Brasília, exigindo deslocamentos, passagens, hospedagem, alimentação, assessorias técnicas e jurídicas, além de toda uma estrutura mantida pelas federações, sindicatos e confederações durante meses de preparação e negociação.
Menos bancários e agências tornam o desafio ainda maior. Ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de representação dos trabalhadores, as entidades sindicais enfrentam um cenário cada vez mais desafiador.
O fechamento de agências, a transformação do modelo bancário, a digitalização e as demissões vêm reduzindo significativamente o número de trabalhadores bancários. Com uma categoria menor, torna-se também mais difícil manter a estrutura necessária para que sindicatos, federações e demais entidades continuem presentes nas mesas de negociação e na defesa cotidiana dos trabalhadores.
Por isso, fortalecer o sindicato significa fortalecer a própria capacidade da categoria de defender seus direitos.
Sem representação coletiva, o trabalhador fica muito mais vulnerável diante de instituições financeiras que possuem enorme poder econômico, jurídico e estrutural. É a organização sindical que estabelece uma relação coletiva de negociação e atua para impedir a retirada de direitos conquistados ao longo de décadas. “Cada direito tem uma história de luta”, afirma Armando.
Para o presidente da Federação dos Bancários de Santa Catarina (FEEBSC), Armando Machado Filho, a Campanha Salarial de 2026 deixou uma mensagem importante para toda a categoria.
“Quando o bancário olha para a sua Convenção Coletiva, precisa entender que cada cláusula que está ali é resultado de negociação e de muita luta. Foram mais de 80 dias de uma campanha extremamente difícil, discutindo dezenas de cláusulas e enfrentando propostas que poderiam retirar ou reduzir direitos. Nada disso acontece sem sindicatos, federações e confederações organizados e presentes nas mesas de negociação.”
Armando destaca ainda que a redução do número de bancários e de agências torna o fortalecimento das entidades ainda mais necessário.
“Os bancos estão reduzindo agências e postos de trabalho, enquanto as entidades sindicais precisam continuar mantendo estrutura, assessoria e representantes em negociações que acontecem principalmente em São Paulo e Brasília. Há despesas para garantir essa representação. Se enfraquecermos nossas entidades, enfraquecemos também nossa capacidade de negociação diante dos bancos.”
Para o presidente da FEEBSC, a união da categoria continua sendo a principal força dos trabalhadores.
“Um bancário sozinho tem pouca força diante de uma grande instituição financeira. Uma categoria organizada tem voz, representação e capacidade de negociação. Por isso, precisamos valorizar e apoiar nossos sindicatos. São essas entidades que estão todos os dias defendendo emprego, salário, benefícios, saúde e condições dignas de trabalho. Sindicato forte significa trabalhador mais protegido.”
Federação dos Bancários de Santa Catarina
Diretoria de comunicação
