

A sétima rodada de negociação entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) e a Federação Nacional dos Bancos (FENABAN) foi retomada às 16 horas desta quinta-feira (13), em São Paulo. No retorno da reunião, a representação patronal apresentou uma proposta considerada inaceitável pelos representantes dos trabalhadores e rejeitada ainda na mesa de negociação.
A proposta da FENABAN atingia pontos centrais da pauta econômica da Campanha Salarial 2026, especialmente o reajuste salarial, os valores do vale-alimentação e do vale-refeição e o salário de ingresso.
Reajustes diferentes conforme a faixa salarial
Em vez de apresentar um índice único para toda a categoria bancária, a FENABAN propôs dividir os trabalhadores em três faixas salariais: salários mais baixos, intermediários e mais altos.
Cada faixa receberia um reajuste diferente. Entretanto, a entidade patronal não informou quais seriam os percentuais aplicados, nem os valores que delimitariam cada grupo salarial.
A proposta abriria caminho para a fragmentação da categoria e para a adoção de reajustes distintos entre trabalhadores submetidos à mesma Convenção Coletiva de Trabalho. Diante disso, a representação dos bancários rejeitou imediatamente a proposta.
Vale-alimentação e vale-refeição
Para o vale-alimentação e o vale-refeição, a FENABAN propôs aplicar o mesmo reajuste destinado aos trabalhadores enquadrados na faixa salarial intermediária.
Além de não informar o percentual, a proposta condicionava a valorização de benefícios garantidos pela Convenção Coletiva a um modelo de divisão salarial rejeitado pelos representantes dos trabalhadores. A proposta também foi recusada na mesa.
Salário de ingresso sem reajuste
Outro ponto considerado grave foi a proposta de exclusão do salário de ingresso do reajuste negociado na campanha salarial.
Segundo a FENABAN, a medida não afetaria os bancários que já estão trabalhando, mas criaria um novo parâmetro salarial para os futuros contratados.
Na prática, a proposta poderia permitir a admissão de novos trabalhadores com salários inferiores aos pisos atualmente praticados, criando diferenças entre empregados que exercem as mesmas funções.
A FENABAN também não informou qual seria o novo valor do salário de ingresso. A proposta foi rejeitada pela representação dos trabalhadores.
FEEBSC rejeita divisão da categoria e redução de direitos
Para o presidente da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Santa Catarina (FEEBSC), Armando Machado Filho, a proposta apresentada representa uma tentativa de fragmentar a categoria e reduzir direitos históricos.
“A proposta apresentada pela FENABAN foi uma afronta aos bancários e à história de luta da nossa categoria. Não estamos falando de benefícios concedidos espontaneamente pelos bancos, mas de conquistas construídas ao longo de décadas de mobilização e negociação coletiva. Dividir os trabalhadores por faixas salariais, aplicar reajustes diferentes e criar um salário de ingresso inferior significa atacar a unidade da categoria e tentar reduzir direitos garantidos pela nossa Convenção Coletiva”, afirmou Armando.
O presidente da FEEBSC destacou ainda que os bancos não apresentaram qualquer índice concreto para o reajuste salarial e tampouco assumiram compromisso de apresentar, na próxima semana, uma nova proposta para os pontos rejeitados.
“Os bancos acumulam lucros bilionários graças também ao trabalho dos bancários. Não existe justificativa para criar trabalhadores de primeira, segunda ou terceira categoria. A FEEBSC rechaça qualquer tentativa de retrocesso. Conquista não se reduz: se preserva e se amplia”, reforçou.
A próxima rodada de negociação está marcada para o dia 18 de agosto, quando a representação dos trabalhadores voltará a cobrar uma proposta concreta, com reajuste único para toda a categoria, valorização dos pisos e benefícios e preservação das conquistas previstas na Convenção Coletiva de Trabalho. (Diretoria de comunicação – FEEBSC).
