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    16 de julho de 2026

    É preciso parar de naturalizar a violência física contra crianças como forma de disciplinar’, avalia oficial do Unicef.

    16 de julho de 2026

    Dois casos recentes de violência contra crianças tiveram grande repercussão no noticiário nacional pela gravidade dos casos: em um deles, no Paraná, o pai chutou o rosto da filha de três anos no meio da rua e acabou preso; no outro, em Viamão (RS), o pai espancou o filho, também de três anos, que teve afundamento do crânio e morreu. Nesse segundo caso, tanto o agressor quanto a mãe da criança estão presos preventivamente.
    Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Luis Bittencourt, oficial de Proteção da Criança do Unicef,

    no Brasil, explica que a legislação brasileira é bastante sólida, desde o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) até outras normas que surgiram posteriormente. Mas existe uma deficiência na aplicabilidade das leis. Além disso, é necessário fortalecer os mecanismos de prevenção e de mudança de mentalidade da sociedade.

    “O que eu queria destacar de forma mais direta é que existem muitos investimentos nos mecanismos de denúncia, nos mecanismos de acompanhamento de caso, mas é necessário também investir na prevenção da violência, investir para que esses meninos e meninas não sejam mais vítimas de violência e de forma que toda a sociedade esteja muito preparada para interagir com as crianças, adolescentes, as famílias, cuidadores, a rede de proteção como um todo, sem nenhuma forma de violência, sem aceitar o castigo físico como uma realidade”, avalia.

    “É preciso parar de naturalizar o castigo e a violência física contra meninos e meninas como uma forma de disciplinar. São normas sociais que aceitam o castigo corporal como uma ferramenta de interação válida”, sintetiza.

    Bittencourt destaca que é muito importante que a denúncia aconteça em caso de flagrante vitimização de uma criança e que isso deve ser uma responsabilidade de toda a comunidade em que aquela vítima está inserida. “São muitos sinais que podem ser identificados e a gente sempre compartilha a importância de monitorar tanto aqueles sinais físicos aparentes — como de casos que a gente viu agora, de crianças que utilizavam manga longa para encobrir os braços que estavam com marcas físicas da violência — mas também comportamentos que podem ser notados de outra forma. Mudança brusca de comportamento, agressividade, queda de desempenho escolar, falta à escola”, menciona. “Nesses casos recentes, vimos também a importância do papel dos vizinhos em identificar a violência e procurar as autoridades”, reforça.

    As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100. “Também é possível procurar o Conselho Tutelar da sua região, buscar a autoridade policial e fazer essa denúncia de forma a efetivamente proteger a criança e adolescente. Não precisa ter certeza de que aquela violência está acontecendo”, explica Luis Bittencourt. (Fonte: Brasil de fato).

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