

Nem sempre a ansiedade começa com pensamentos acelerados, preocupação constante e angústia. Em muitos casos, ela se manifesta primeiro fisicamente, com sinais como taquicardia, falta de ar, suor excessivo, tremor, náusea, tensão muscular ou dificuldade para dormir — com frequência, essas manifestações assustam e, à primeira vista, são associadas a quadros cardíacos, respiratórios ou gastrointestinais.
Isso acontece porque esse sofrimento psíquico também encontra vias físicas para se expressar. “A ansiedade, no corpo, se apresenta basicamente de duas formas”, comenta Lucas Gandarela, supervisor do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP). Segundo ele, em uma delas, os sintomas surgem de modo mais agudo, com batedeira no peito, tontura, sudorese, dificuldade para respirar.
Na outra, o cenário é menos abrupto, mas nem por isso menos desgastante. O tensionamento se prolonga, o sono piora, a irritação aumenta e o organismo parece permanecer em alerta, mesmo sem a presença de uma ameaça concreta. Quando isso se estende no tempo, esses incômodos passam a interferir na forma como a pessoa vive, trabalha e se relaciona.
Laiana Quagliato, professora adjunta de psiquiatria da infância e adolescência do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, observa que essas alterações costumam se intensificar em períodos de sobrecarga, muitas preocupações ou estresse. “Quando a pessoa respira com calma, consegue desacelerar e sair desse estado, o mal-estar tende a diminuir.”
Para ajudar na identificação dos sintomas físicos — e saber quando é essencial buscar ajuda —, Gama reuniu cinco dicas.
Note se o seu corpo reage desproporcionalmente – O primeiro passo é observar em que contexto seu corpo traz reações de alerta. Se o coração acelera ou a falta de ar aparece diante de uma notícia ruim, uma perda ou uma situação objetivamente estressante, o organismo está dando uma resposta esperada.
O ponto de atenção aqui aumenta quando essa resposta vem em ocasiões banais, sem que haja algo que explique tamanha mobilização. “É crucial a pessoa identificar se o sintoma aparece sempre do nada”, diz a psiquiatra Laiana Quagliato. “Um sinal importante da ansiedade é quando o nosso corpo reage sem um perigo real. Não há nada acontecendo e a gente sente palpitações, por exemplo, diante de algo corriqueiro do cotidiano”, detalha. Lucas Gandarela exemplifica: “É como se o alarme tivesse quebrado”.
Em vez de tocar diante de uma ameaça concreta, esse apito dispara quando o perigo é improvável ou mesmo inexistente. “Uma das coisas que acontece no transtorno de ansiedade é que a pessoa vai sentindo esses sintomas somáticos com mais frequência, de maneira mais intensa e persistente em situações em que de fato não há um perigo iminente”, fala o médico. Por isso, é bom se perguntar se aquela reação foi proporcional ao que estava acontecendo ou se o corpo entrou em pane sem motivo claro.
(Fonte: Revista Gama).